Detran implanta projeto em parceria com pessoas com deficiências físicas

05/09/2016

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O Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran-MA) iniciou, na quinta-feira, 1, a implantação do projeto ‘Humanizar’, que irá incluir pessoas com deficiências física e visual, vítimas de acidentes de trânsito, nas ações educativas desenvolvidas pelo órgão. O ponta pé aconteceu, em uma reunião com a Diretora Geral, Larissa Abdalla, o diretor-administrativo, Domingos Ferreira, a Coordenadora de Educação para o Trânsito, Rosetânia Barros, e as pessoas convidadas a integrarem o projeto.

Esta é a primeira vez que o Detran realiza uma campanha com o envolvimento de pessoas com deficiência no trabalho educativo para o trânsito. Todos serão inseridos nas atividades da Semana Nacional do Trânsito, que tem o tema ‘Sou mais um por um trânsito mais seguro’, e que acontecerá de 18 a 25 deste mês. Eles irão participar relatando suas experiências em palestras nas escolas e em ações educativas durante as operações Lei Seca, que são realizadas em parceria com a Companhia de Polícia Rodoviária Militar Independente (CPRV-Ind).

“Estou feliz e emocionada em colocar este projeto nas atividades educativas do Detran e a com perspectiva de somar, com vocês, no trabalho de conscientização para um trânsito mais humano”, ressaltou a diretora Larissa Abdalla, destacando que este tipo de projeto está implantado somente em cinco capitais do país. “A inclusão de vocês nas campanhas educativas trará mais sensibilidade para o trânsito”, acrescentou.

A secretária-adjunta dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Beatriz Carvalho, afirmou que a presença de pessoas que tiveram sua rotina alterada, por conta da violência no trânsito, em condições de igualdade, enquanto instrumento de prevenção e boas práticas, é muito positiva. “Possibilitar o protagonismo destas pessoas é obrigação da sociedade no processo democrático de gestão e, também, um compromisso do governo do Estado”, avaliou.

Para participar das ações educativas da Semana de Trânsito, o Detran cadastrará 20 pessoas que apresentam marcas da violência no trânsito, sejam elas causadoras do seu próprio acidente ou vítimas de motoristas imprudentes, mas, que se sentem aptas para compartilhar suas experiências. E no dia 17 próximo, elas serão qualificadas para trabalhar na campanha, com um treinamento realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Humano e Social, (IDHS), no Hotel Brisamar.

HISTÓRIAS DE VIDA X INSTRUMENTO DE PREVENÇÃO

ANTONIO NUNES, 64, aposentado, representante da diretoria do Fórum Maranhense das Entidades de Pessoas com Deficiência e Patologias. Paraplégico, há 29 anos, ele conta que dirigia sua motocicleta CB450, em uma auto estrada, quando fez uma ultrapassagem errada em carro, deixando o motorista muito irritado. “Essa briga no trânsito me fez perder a direção e causar um acidente que trouxe uma lesão irreversível na minha coluna vertebral”, recorda.

Sobre o projeto do Detran-MA: “Em uma cadeira de rodas pretendo passar a minha história de imprudência no volante. Quero somar com o Detran com as informações sobre o perigo no trânsito”.

 

WILAME SOUSA JR, 36, Técnico de Informática aposentado, conta que estava embriagado quando pegou sua moto. Sofreu um acidente que quebrou nove costelas, duas vertebras e tirou os movimentos total de suas pernas. “Confesso que a minha vida difícil, pois sinto dores terríveis na coluna, mas, me sinto feliz por estar com meus filhos. Eu era um garotão vaidoso, que gostava de diversão. Tinha 29 anos, costumava dirigir após o uso do álcool e, como a grande maioria das pessoas que cometem este erro, achava que tinha o controle do volante sempre. Que bobagem, sabemos que a vida é muito frágil”, aconselha.

Sobre o projeto do Detran-MA: “Este projeto vai me fazer muito bem. Depois que aconteceu isso comigo gosto de orientar as pessoas sobre o risco de vida que é combinar álcool e direção”.

 

AUDILENE MONTEIRO, 42, aposentada, militante dos Direitos da Pessoa com Deficiência, revela que era dançarina antes do acidente de carro que levou à óbito o seu marido e a deixou paraplégica. Segundo ela, apesar de saber que o motorista que dirigia o carro havia ingerido álcool, e do choque que recebeu com a perda dos movimentos das pernas, sua vida continuou de forma digna (na época do acidente ela estava grávida de uma menina). “Quero repassar esta história como exemplo para a boa conduta no trânsito, pois a irresponsabilidade de um motorista me deixou sequelas irreversíveis. Eu sinto na pele todas as dificuldades de ser paraplégica, mas, garanto que sou feliz no que faço”, ressalta.

Sobre o projeto do Detran-MA: Esse projeto vai mostrar as consequências de um acidente de trânsito. Os motoristas terão a oportunidade de avaliar o que a imprudência, álcool e direção juntos podem causar na sociedade.

 

ARLEM SANTANA, 24, estudante de Ralações Públicas – Enquanto estava com os pais e o irmão, na calçada de sua residência, um carro desgovernado atingiu em cheio a sua perna esquerda. O acidente aconteceu, em 1994, e ela explica que tinha dois anos e nove meses e que todos ficaram feridos. Ela teve a perna amputada.

“As minhas memórias são com uma ‘perninha’ de prótese. A minha mãe conta que eu reaprendi a andar novamente. Mas, fui criada com muito amor e como uma criança normal. Por isso briquei, estudei, sou casada e tenho duas filhas lindas”, brinca.

Sobre o projeto do Detran-MA: “Acho que levar as experiências das pessoas que sofreram acidentes de trânsito é uma ação maravilhosa. Reforçaremos o quanto a imprudência no trânsito pode trazer sofrimento”.

 

ROSELI GOMES, 44, Dona de Casa – Deficiente visual, um acidente no trânsito só contribuiu para trazer à vida da dona de casa, mais complicações. Ela afirma, que há 12 anos, acompanhada do esposo e de um ajudante, atravessava a avenida Jerônimo de Albuquerque, perto da Escola de Cegos, foi atingida por um carro em velocidade. “Levei um tombo e tive a bacia deslocada e, durante muito tempo, sentia revolta por não puder mais engravidar. Graças a Deus, meu marido, que também é cego, escapou ileso”, diz.

Sobre o projeto do Detran-MA: “A minha mensagem será repassar o que imprudência no trânsito pode causar. Muitos motoristas não enxergam os pedestres”.

 

ANA CLAUDIA NASCIMENTO, 18, Estudante – Ela lembra, emocionada, do que passou nos últimos dois anos, quando fora atingida por um motorista de uma S10 que vinha na contramão da rua. O motorista fugiu e ela ficou no asfalto tentando levantar com a perna quebrada. “Sei que tive sorte, mas ainda não consigo esquecer o que vivi ali e depois com as dificuldades e muitas cirurgias. Entrei em depressão e sentia vergonha da perna torta. Mas, hoje me sinto mais forte e até voltei a estudar”, revela.

Sobre o projeto do Detran-MA: “Achei a ideia incrível. Mostrarei às pessoas um pouco do que passei após o acidente. Explicar que tudo na vida pode mudar em questões de segundos”.

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